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Comparativo
Comparemos a aplicação da Semiótica ao desenvolvimento de um sistema relativamente simples, mas que pode reservar surpresas ao longo do tempo: um cadastro de clientes.

Um software de cadastro de clientes deverá permitir inclusão, alteração e consulta de informações a respeito de clientes. Aqui, percebe-se que o mais importante é a natureza da informação cadastrada: queremos saber quem é, onde mora, qual a altura, peso, idade, quanto ganha o nosso cliente. Não estamos interessados em saber se determinado cliente comprou a prazo, ou se os clientes que compram a vista pesam mais de 70 kg.

Vejamos as vantagens de utilizar a Semiótica na construção de um sistema que tenha esse escopo.

Na abordagem tradicional
Nos sistemas tradicionais - chamemo-los de Sistemas Algorítmicos - cabe ao analista de sistemas definir, e ao programador implementar, quais são as estruturas constituintes do software.

Conceitualmente, as Estruturas que contém os Representâmens nos softwares tradicionais:
  • são definidas a priori;
  • não podem ser alteradas pelo usuário final.

  • Cabe ao usuário somente implementar os Representâmens conforme o Objeto que se deseja representar.

    No cadastro de clientes:

    1. o analista define quais características dos clientes interessam ser retidas;
    2. define, assim, uma Estrutura que conterá essas características. Por exemplo: Nome, Data de Nascimento, Altura, Cor do Cabelo;
    3. o programador construirá o software que captura essas e somente essas características;
    4. ao usuário final caberá cadastrar, para cada cliente, o Nome, a Data de Nascimento, a Altura, a Cor do Cabelo;
    5. se em algum momento o usuário desejar cadastrar também outra informação a respeito dos clientes - por exemplo: Cor dos Olhos - terá de recorrer a outro software: o que tem em mãos já é inútil.

    Utilizando a Semiótica
    Nos sistemas que utilizam a Semiótica - chamemo-los de Sistemas Simbólicos, ou Sistemas com Processamento Simbólico - o analista de sistemas não precisa definir a priori as estruturas que conterão os Representâmens no sistema, já que elas próprias podem ser Representâmens cadastrados pelo usuário. Assim, o usuário final é capaz de:
  • definir quais estruturas são do seu interesse;
  • reter e recuperar Representâmens nas estruturas por ele definidas.

  • Isso aumenta enormemente o seu poder sobre a capacidade do software de reter a informação de interesse.

    No escopo do cadastro de clientes:
    1. o usuário define quais características dos clientes interessam ser retidas;
    2. o usuário cadastra essa estrutura. Por exemplo: Nome, Data de Nascimento, Altura, Cor do Cabelo;
    3. o software permite que, para cada cliente, o usuário cadastre o Nome, a Data de Nascimento, a Altura, a Cor do Cabelo.
    4. se em algum momento o usuário desejar cadastrar outra informação a respeito dos clientes - por exemplo: Cor dos Olhos - basta acrescentar essa informação à estrutura que ele cadastrou (passo 2). Pronto: o mesmo software ainda pode ser utilizado para o novo cadastro de clientes.

    Significa então que o trabalho do analista de sistemas e do programador torna-se desnecessário, já que o usuário final consegue definir todas as estruturas necessárias?

    Não.

    Na prática, o que termina acontecendo é que em lugar de substituir o trabalho do analista de sistemas, o Processamento Simbólico o potencializa. O analista de sistemas deixa de ser o tradutor que transforma as premissas do negócio em algorítmos e passa a ser aquele que deverá ter a visão estratégica do uso prático da tecnologia nas empresas.